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Karma, a Lei da Acção seguida da Reacção
Por Dinu Roman

"KARMA" significa "acção". Cada acção ou o pensamento determinam uma reacção. No mundo físico, o peso de um corpo cria uma força oposta na terra. Ao nível emocional, a nossa atitude em direcção a alguém (ou algo) é, conscientemente ou não, reflectida para trás, outra pessoa terá a tendência de comportar-se exactamente segundo a nossa sensação em direcção a ele/a. Ao nível mental isto é a interacção dinâmica bem conhecida entre a mente consciente que ordena e a mente de subconsciência que executa.

Na Tradição do YOGA, O KARMA tem um significado muito mais profundo, que só até certo ponto, está relacionada com a ideia ocidental de Destino ou Fado. Nesta visão, o KARMA é a acumulação das nossas acções passadas. Estas acções passadas (provocando acções) são causas que determinam outras acções (reacções provocadas) em concordância exacta com a carga das acções passadas correspondentes.

Os ensinos orais secretos do TANTRISMO dizem que todas as acções, físicas, emocionais ou mentais, cada movimento que ocorre tanto no plano da matéria grossa ou nos planos subtis, causa uma emissão de energia (SHAKTI), por outras palavras, ele produz "uma semente".
Sendo uma semente, o KARMA não dá frutos imediatamente depois de ser semeado. Necessita o solo fértil da auto-arrogância (quando uma pessoa arroga a ela própria a acção feita em um estado da ignorância espiritual) e o adubo de acções semelhantes para ajudarem o seu crescimento e fruição. A ausência de auto-arrogância mantém a pessoa não afectada pelas acções feitas naquele estado da consciência.

Auto-arrogância é assim o solo sem o qual a semente do KARMA não pode crescer.
As inumeráveis sementes lançadas para o Universo pelo desejo, aversão, amor, ódio, etc., e as acções causadas por essas sensações, do mesmo modo que todas as sementes materiais, tendem – dadas as condições favoráveis – para produzir entidades enérgicas da mesma espécie daquele dos pais que transmitiram a semente.

Auto-arrogância é assim o solo sem o qual a semente do Interior ordena que a semente deve ser semeada, não é de modo nenhum necessário que as nossas emoções, intenções ou pensamentos devam ser materializados em acções. Toda a nossa actividade subconsciente é uma fonte poderosa da qual são rejeitadas essas sementes. Por isso, importa não só o que você FAZ, mas também que você É.

Não existe uma folha de erva, nem um grão de areia que não é semeador de sementes de KARMICAS pela actividade da sua vida física e psíquica, peculiar à sua espécie, que não devemos imaginar de modo nenhum como semelhante a nós.

Cada um dos nossos movimentos físicos, emocionais ou mentais é o fruto de causas que vêm de todo o Universo e têm as suas repercussões em todo o Universo.

Por exemplo, se fazes uma má ou boa acção em direcção a alguém, isto provoca uma reacção que será igualmente má ou boa, e que será dirigida em direcção a ti. Deste modo, experimentas a felicidade ou o sofrimento que produziste a outros seres vivos. O valor importantíssimo deste mecanismo subtil é que aprendemos e acumulamos certa inefável sabedoria que nos empurra em direcção a tornarmo-nos bons e perfeitos. Naturalmente, isto é uma explicação muito simples e mecânica; o que realmente acontece tem uma complexidade e a profundidade que supera até a mente mais imaginativa.

O KARMA é o armazenamento das nossas acções, registradas com a exactidão numa memória especial. Esses registros assemelham-se a bombas temporizadas que explodirão no futuro. O observar de um objecto, o pensar de um pensamento, a realização de um acto, embora muito transitório, deixa um traço complexo na Memória Cósmica (AKASHA), que dura para além do tempo, e deixa também uma marca na mente subconsciente. Esta marca subconsciente chama-se SAMSKARA (impulso dinâmico). O carácter de um homem, a sua posição moral ou mental, os seus "talentos", o seu "gostares" e " não-gostares", todos são determinados pelos seus SAMSKARAS, que são o produto do seu KARMA (acções passadas). Os SAMSKARAS transmigram da encarnação para encarnação, nunca sendo perdidos. Eles actuam como sementes que se desenvolverão de acordo com um padrão específico, que caracteriza cada um deles e que está estreitamente relacionado com a carga da acção que os produziu.

Por exemplo, o padrão de desenvolvimento de uma semente de feijão comum é dar à luz para uma planta que tem todas as características da planta de feijão comum. Isto é o KARMA da semente de feijão comum. Deste exemplo simples podes entender como as sementes de KARMICA do nosso subconsciente (SAMSKARAS) dão à luz circunstâncias identicamente semelhantes àquelas que as geraram. Por outras palavras, fazes o bem, encontrarás o bem, e vice-versa.
O KARMA tem três níveis. O primeiro nível é o nível das acções passadas que estão à espera para produzir uma reacção. Isto é chamado o SANCHITA KARMA, o KARMA latente.

O segundo nível é o nível das acções passadas cujas reacções estão a manifestar-se totalmente, sendo responsáveis pela nossa vida presente e criando as suas circunstâncias. Isto é chamado PRARABDHA KARMA, KARMA activo ou maduro.

O terceiro nível é o nível das acções que irão ser provocadas no futuro pelas nossas acções presentes. Isto é chamado de KARMA futuro.

Outro aspecto importante é que a sequência das reacções provocadas é não necessariamente o mesmo da sequência das acções que provocam. Alguns KARMAS (acções) provocam uma reacção muito rápida, os outros precisam de um longo ou muito longo tempo para provocar uma reacção. O tempo "da maturação" do fruto de uma acção não tem nada a ver com o tempo quando aquela acção foi feita, mas apenas com a sua natureza.

Cada acção, para além de provocar uma reacção, tem também um eco, isto é, tem a tendência de repetir-se ciclicamente. O eco aparece depois de ciclos completos do tempo (24 horas, 3 dias, 7 dias, um mês, etc.). Normalmente, o eco é múltiplo isto é, há um eco depois de 24 horas (o mais forte), outro depois de três dias, ainda outro depois de sete dias, etc. Esses ecos múltiplos são menos e menos poderosos, consumindo-se com o tempo.

A Lei de Ecos é válida tanto para acções provocantes como para reacções provocadas. Podemos dizer que o eco é como uma múltipla reflexão de uma acção. Os ecos também provocam reacções.

Considerando a sequência temporal de acções, cada acção tem um efeito de feedback (indo para trás no tempo e por isso afectando todas as sementes KARMICAS latentes que estão à espera) e um efeito directo (avançando no tempo).

O resultado de uma acção é muito influenciado pelas ideias associadas. Quando, por exemplo, uma pessoa pratica certas austeridades e desejos cujo fruto deve ir para outra pessoa pela qual ele as executa, é o outro que recebe o fruto, e não o executor.

Se entenderes a Lei do KARMA, aperceber-te-ás que não há nenhum destino para além da vontade humana. Todos recebem exactamente o que merecem. Isto é uma Lei Cósmica e Inflexível. Há uma justiça perfeita, mesmo quando a nossa limitada compreensão humana "vê" uma "injustiça". Os seres humanos constroem o seu próprio destino pelas suas acções, pensamentos e intenções. Se esses tiverem uma carga positiva, o destino será positivo. Se as acções, os pensamentos ou as intenções tiverem uma carga predominantemente negativa, o destino será negativo. Note que não tens necessariamente de fazer coisas más a outros para ter um mau destino: as pessoas normalmente fazem coisas más a elas próprias, e isto é suficiente para criar um KARMA negativo. Uma coisa importante aqui é a intenção. Lembre-se, o Deus ou outras Entidades Cósmicas Superiores nunca punem uma criatura por ser "má" e nunca a recompensa por ser "boa".

À luz desta Lei, o homem semeia sementes (acções) que rebentaram depois. Mas o homem ignorante continuamente semeia sementes e não presta atenção nenhuma ao seu crescimento. Ele até não sabe o que ele está fazendo. Ele nem sequer sabe que o que está a fazer terá uma repercussão. Contudo, isto não torna as sementes das suas acções estéreis, pelo contrário: elas crescem e amadurecem, e logo cada um deve comer os frutos doces ou azedos do seu próprio campo. Não só as nossas acções, mas também as nossas omissões tornam-se no nosso destino. Mesmo as coisas que não conseguimos realizar, provocam reacções que podem desenvolver-se em eventos graves.

O nosso destino deposita-se insidiosamente nas nossas vidas pelos nossos minúsculos inumeráveis movimentos, pensamentos, intenções, hábitos, as acções pouco conscientes e negligências da vida diária. Depois, pelas nossas escolhas inconscientes e rejeições, gradualmente engrossa até que a solução chegue a um ponto de saturação e esteja maduro para cristalização. Uma leve turbulência é então bastante, e o que se esteve a formar durante muito tempo como um líquido enevoado, algo indefinido, simplesmente mantendo-se na prontidão, é instantaneamente precipitado como destino, explode absolutamente de forma transparente e sólida, e revela-se ao nosso olhar assombrado o seu conteúdo interno.

Depois ficamos estupefactos. Então perguntamo-nos: "Que fiz eu para merecer isto? Porquê eu?" Que por muito tempo tem sido construído em segredo, imprevisivelmente descarrega-se com grande poder para o mundo exterior e leva-nos com ele: a máquina do KARMA começa seu trabalho inexorável no cenário que nós próprios, na maioria das vezes inconscientemente, minuciosamente preparamos. Nós descobrimos subitamente que estamos presos numa rede inescapável, tecida e adaptada por nós, em que sem pensarmos entreguemos a nós mesmos, e que nos leva a fenómenos de proporções desconhecidas e muitas vezes incontroláveis. E a trágica beleza de tudo isto é que tudo parece vir de fora, como se não tivéssemos escolha, como se nós fossemos as vítimas de um julgamento injusto, como se o mundo inteiro se virasse contra nós numa súbita explosão caprichosa.

Vivemos num mundo misterioso, no qual, com a nossa mente consciente e subconsciente e sistema de crenças, estamos permanentemente a criar a "realidade" na qual vivemos, manifestando esse poder enigmático chamado MAIA SHAKTI, pela qual vemos o mundo não do modo que é, mas o modo que o queremos, conscientemente ou não, que seja. Este é o mesmo poder que o Ser Supremo usa para criar e manifestar os mundos, e a ocultar-se deles. Tens de ver e entender profundamente esta verdade fundamental antes de tentar entender a lei do KARMA.

É importante saber que além das dívidas KARMICAS, o ser humano tem a LIVRE VONTADE. A livre vontade permite escolhas inteligentes. Mesmo se tiveres de sofrer as reacções de um "mau" KARMA, essas escolhas podem fazer uma grande diferença em COMO essas reacções se manifestarão, e mesmo SE elas manifestar-se-ão de todo. A livre vontade não é igual para todos (depende do KARMA), mas até um KARMA extraordinariamente "mau" dá possibilidades de exercer a livre vontade em certos pontos cruciais na vida.

Contra-actuar KARMA latente

Agora, vamos à ideia de "modificar o destino". De forma geral, o ser humano comum apoia passivamente e inconscientemente as consequências dos seus KARMAS (acções). Neste estado de consciência, ele/ela gera inconscientemente outros KARMAS (acções), que provocam reacções correspondentes, e assim por diante. Aparentemente, este ciclo vicioso não tem fim.

A Tradição do YOGA afirma claramente que o ser humano tem o poder e o direito de modificar o seu destino e encontrar uma saída deste ciclo vicioso. Isto é chamado de "evitar a roda de reencarnações". O próprio KARMA é chamado de "Roda do Retorno Eterno".

Vimos que o estado de KARMA, quando ele se está afirmando ou está a ponto de afirmar-se, é chamado o KARMA maduro. Uma vez que este estado seja alcançado, nada nem ninguém pode pará-lo de seguir o seu curso, nada pode impedir a sua fruição.

Em oposição a isto, há outro estado no qual, as circunstâncias sendo extremamente desfavoráveis para o seu crescimento, um KARMA permanece dormente (KARMA latente). A fruição de tal KARMA só pode ser destruída por uma oposição como caridade, prática espiritual, etc. As medidas preventivas contra a fruição do KARMA latente assemelham-se à inoculação para salvaguardar uma pessoa contra o ataque de certa doença. E tal como a inoculação, embora eficaz se for feita muito antes do ataque, é ainda inútil quando o ataque veio, isto é, quando o KARMA alcançou a maturidade. O KARMA maduro assemelha-se a uma rocha redonda rolando do topo de uma montanha, que não conhece nenhuma obstrução e deve seguir o seu curso até que chegue a terra plana.

A destruição, ou a ardência, do KARMA é uma das condições antecedentes mais essenciais da iluminação. Mas isto não é nem a única condição, nem é propriamente a iluminação.

O objectivo principal da Lei do KARMA é aprender. Se, pela compreensão e consciente modificação da sua vida, aprendes uma lição, o KARMA que foi suposto ensinar-te uma determinada lição pelo sofrimento, é automaticamente queimado.

Lembre-se de que o KARMA é a causa principal da nossa existência neste mundo. Um indivíduo não só é afectado pelo seu próprio KARMA, mas também por daquele da comunidade ou raça à qual ele pertence (KARMA colectivo). Um bom ou mau KARMA é igualmente indesejável para aquele que anseia pela liberação, porque ele acorrenta o ser humano na Roda do Retorno Eterno. Na visão do YOGA, o KARMA é "bom" quando ele permite ao ser humano realizar a evolução espiritual, e é "mau" quando o contrário é o caso. "O mau" KARMA significa que muitas lições têm de ser aprendidas; "o bom" KARMA significa que bastantes lições foram aprendidas, portanto o ser humano pode começar o trabalho consciente do crescimento interior. O YOGIN anseia por eliminar qualquer espécie do KARMA. Só deste modo ele será totalmente livre de quaisquer ligações com os níveis inferiores da consciência, sendo capaz de se fundir continuamente na Felicidade Eterna da Consciência Suprema. Desse momento em diante, todas as suas Acções serão livres de qualquer carga KARMICA. Essas acções podem provocar reacções, mas só se o YOGIN assim o desejar. Um mestre iluminado tem o controle completo sob a fruição dos seus KARMAS (acções).

O ideal Cristão de "perdoar os pecados" é de facto outra forma de exprimir a ideia de ardência ou compensação do KARMA latente. JESUS mencionou à mesma ideia de mudar o destino quando Ele disse: "Verdadeiramente digo-vos, o Filho do Homem tem o poder para perdoar os pecados." Na visão do YOGA, "o pecado" é qualquer acção que não é conforme a Harmonia Cósmica superior, por outras palavras aquele que não é conforme os YAMA e NIYAMA.

A Ciência de YOGA fornece a metodologia necessária de aprendizagem pela compreensão e transformação consciente, para modificar o Destino e experimentar os frutos restantes do nosso KARMA de um modo inteligente e superior. Acerca disto, YOGA SUTRA, o tratado famoso do YOGA escrito pelo Sábio PATANJALI, diz: "O futuro sofrimento pode e deve ser evitado." A Ciência pela qual isto é possível é chamada de YOGA.

Uma metodologia geral pela qual o ser humano pode evitar a roda do KARMA é chamada de NISKAMA KARMA, isto é, a acção (KARMA) sem (NIS) apego (KAMA), isto é, acção espontânea que vem suavemente, como se por si mesma, sem ser "empurrada". O Mestre TAOÍSTA LAO-TZE explicou usando o termo "Não-Trabalho":
"Pratica a Não-Trabalho, e tudo estará em ordem."
"O TAO nunca faz nenhuma Acção, E ainda ele faz tudo, nada é deixado por fazer."
"Faça a Não-Trabalho, esforce-se pelo sem esforço..."

Esta ideia também foi expressa pelo termo "não-acção", mas este termo foi muito entendido mal: ele não tem nada a ver com preguiça ou inactividade, pelo contrário, ele estipula a acção inteligente feita num estado especial de consciência: deixarmo-nos ir, cedendo confiantemente as Leis Cósmicas, cair com o ritmo vasto do Universo e movermo-nos com a Sua harmonia.

Isto é a significação do termo chinês WU-WEI (não-acção): o evitar de resistência e asserção, a não-interferência, a harmonização com as Leis de Céu e da Terra.

Novamente, o YOGA afirma que a acção real não cria nenhum KARMA, mas a ATITUDE com a qual aquela acção é feita (a arrogação a ele próprio da autoria de acções) liga o ser humano à cadeia dolorosa do sofrimento. Para evitar isto, consciencializa todas as suas acções consagrando, por uma ansiedade ardente, os seus frutos ao Ser Supremo, não esperando qualquer recompensa ou resultado deles e considerando os como um dever que tem de ser feito (DHARMA). Deste modo abres-te em direcção à harmonia cósmica e permites que a Corrente da Consciência Eterna execute essas acções por ti, enquanto assumes o papel de um retransmissor que está a transmitir a acção correspondente. De uma grande ajuda aqui está a concentração contínua sobre SAHASRARA, o centro acima da cabeça.

O termo "não-apego" (VAIRAGYA) descreve melhor a condição espiritual da actuação sem a luxúria do resultado. É muito difícil para o ser humano comum decidir algo e depois fazê-lo puramente pela própria causa da acção. Contudo é precisamente esta atitude que é necessária de um YOGIN ou de uma YOGINI.

Neste aspecto, há uma Lei Cósmica que diz:
"Tudo o que te identificas com, controla-te; tu controlas tudo o que te des-identificas com."

Não ter medo de executar qualquer acção quando o tempo está maduro para isso, e não esperar nenhuns resultados (isto é, age pela acção, e não pelo que possas adquirir daquela acção). A compreensão correcta desta ideia é muito difícil e vem com o tempo. Diz-se que o homem tem o dever de actuar, mas o resultado das suas acções estão nas mãos de Deus.

Elementos Práticos em Karma Yoga

KARMA YOGA é um dos quatro tipos do YOGA tradicional. Os outros três são:
JNANA YOGA - o YOGA de conhecimento intelectual
BHAKTI YOGA - o YOGA da devoção à Consciência Suprema
RAJA YOGA - o YOGA do controlo mental e meditação
KARMA YOGA é a YOGA da comunhão espontânea e completa com a Consciência Divina Suprema pela acção desapegada.
O DESAPEGO significa o envolvimento do não-ego (liberdade dos laços do desejo). Por isso, KARMA YOGA necessita do envolvimento do não-ego, nem na acção nem no desapego. Deste modo tudo que fazemos torna-se numa meditação e afinação à Harmonia Cósmica.

Os ensinamentos ancestrais do sistema de KARMA YOGA são os seguintes:
(1) Nem apenas por um momento pode um ser humano, ser sem acção. Por isso, a inacção ou a restrição da acção NÃO devem ser o objectivo de um yogi. A acção desapegada e consagrada é muito superior do que a inacção.
(2) Certas acções são obrigatórias e por isso têm de ser feitas mas em um estado de desapego perfeito e consagração dos seus frutos à Consciência Suprema (Deus).
(3) Não devemos nem desejar nem temer os frutos (os resultados) das nossas ações desapegadas. Devemos consagrar esses frutos a Deus. A consagração significa oferecer os frutos de uma acção ao Deus num estado de humildade, significa actuar pelo amor de Deus. Esta atitude interior da consagração implica um respeito profundo e a atenção pela acção que está sendo executada, e um desapego perfeito do seu fruto. A consagração contém uma responsabilidade mais elevada, porque agora a qualidade da acção é a medida do grau do amor por Deus e da comunhão com a Harmonia Cósmica. À luz deste ensinamento, nenhuma acção deve ser considerada como sendo sem importância, negligenciável ou incompatível com o papel que PENSAMOS (mas não sabemos através de experiência directa) que temos de realizar nesta vida.
(4) Nunca devemos ser apegados à própria acção.
(5) Nunca devemos considerar-nos como os autores das nossas acções. Devemos ter em mente que o Deus é aquele que actua por nós. Por isso, ANTES de começar uma acção (este detalhe é essencial!!), invoque com o fervor a presença de Deus e ofereça-lhe num estado de humildade tanto aquela acção como os seus frutos.
KARMA YOGA faz uma clara distinção entre:
(a) A INTENÇÃO de uma acção (o estado de mente no momento de uma acção);
(b) A própria acção;
(c) Os frutos da acção;
Fora desses três elementos, só a intenção cria o novo KARMA (acorrenta-nos nós à Roda de Nascimento e Morte). Para evitar isto, a intenção tem de ser desapegada e consagrada ao Deus.
(6) Qualquer acção realizada no espírito da KARMA YOGA (isto é, respeitando os cinco preceitos acima mencionados) não cria nenhuns laços KARMICOS.

Consagração das acções

É necessário consagrar todas as grandes acções a Deus.
Quando decides oferecer uma acção e os seus frutos a Deus, é de extrema importância que o faças ANTES de a acção começar. Consagre os frutos da acção a Deus em total sinceridade, sem reter nada. Quando ofereces os frutos a Deus, aceitas que os resultados da acção, quem deviam vir para ti, são oferecidos a Deus e tu de livre vontade os abandonas. O momento do oferecimento é imediatamente seguido por um estado extraordinário de comunhão, de abertura, de carregar com um fluxo divino da energia extática, que sempre manifesta no teu ser de CIMA PARA BAIXO (do centro acima da cabeça descendo até ao centro da raiz). Então sentes este fluido entrando na coroa do crânio e penetrando o teu ser, banhando-o num brilho de influência divina. Este estado é o sinal que o Deus recebeu a tua oferta e que podes prosseguir e começar a acção, assegurando que agora Deus está a agir por ti, inspirando e guiando-te durante todo o processo.

Por isso, no KARMA YOGA a consagração tem duas partes:
1. Oferecer os frutos de uma acção a Deus ANTES de começar a acção.
2. A percepção, num estado da atenção interior e receptividade, a RESPOSTA que o Deus nos envia, e que significa que Ele aceitou a nossa oferenda. Esta resposta é uma sensação, às vezes muito suave e pouco sentida, e às vezes um estado esmagador de expansão da consciência, ou qualquer grau intermédio. O principal aqui é apercebermo-nos de um estado de elevação, uma graça descendente de acima da cabeça até a base da espinha. Depois de pouco tempo, este estado desvanece-se, mas o que é importante é que veio sobre ti.

NOTA: é impossível NÃO sentir a resposta, se Deus realmente responder. Se formos realmente sinceros e abertos na nossa oferenda, Deus tem sempre forma de nos fazer perceber a Sua resposta. Podes por exemplo, usar a fórmula seguinte ANTES de começar uma acção:

"Concebo na intenção a acção seguinte (... podes dizer o que é) como uma oferenda à Consciência Suprema. Deus, Pai Supremo, estou a oferecer-Te os frutos desta acção, por favor faz-me entender e perceber se queres receber a minha oferenda." Permaneça silencioso durante alguns minutos, numa introspecção silenciosa pela resposta.

AVISO! Se depois de um máximo de cinco minutos a resposta não vier, a acção não foi correctamente consagrada. Neste caso, faça a consagração novamente, e espere pela resposta. Se a resposta não vier até depois de uma terceira consagração, significa que Deus não concorda com aquela acção, e não deves FAZÊ-LA (ou, se progredires e a fizeres, sê consciente que Deus não a apoia e ela criará conexões KARMICAS inescapáveis).

Ajudar outros à luz dos ensinamentos do KARMA YOGA

KARMA YOGA introduz a fórmula "APRENDIZAGEM PELA AJUDA DESAPEGADA DADA A OUTROS". Guarde estas ideias em mente:
- A única ajuda realmente valiosa consiste naquela em que um ser humano recebe o ensinamento de como ajudar-se a ele mesmo.
- Para ser capaz de DAR realmente, primeiro tens de TER.
- Quando ajudas ou ensinas outros, consagra a Tua acção a Deus, e deixa-O ajudar aquela pessoa por ti. Fica consciente que não podes ajudar ou ensinar alguém sem uma ajuda substancial de Deus. Assim sendo, em total humildade (falta da arrogância) oferece-te como um canal pelo qual a ajuda de Deus pode alcançar aquela pessoa, e "sai do caminho". Se a consagração for correctamente executada, e se realmente tornares-te um canal desapegado, o estado interior de consciência que aparece então no teu ser é tremendamente poderoso. Este estado de consciência modifica-te e à pessoa que queres ajudar, sendo ao mesmo tempo uma prova gloriosa da existência de Deus e das suas formas. Mas não fiques desapontado se às vezes outra pessoa for densa ou refractária a esta ajuda – isto mostra a sua incapacidade para receber ajuda.
- A diferença entre compaixão e pena é esta: Pena é um estado da ressonância passiva com o sofrimento de outra pessoa. Pela pena assumimos nos nossos ombros, parcialmente ou totalmente, o KARMA do sofrimento que pertence a outra pessoa. Por outras palavras, fazendo dos problemas dos outros os nossos problemas - sem ajudá-los em qualquer forma e por vezes arriscando até o nosso desenvolvimento interior!! Pela pena NÃO estamos integrados na Harmonia Cósmica.
A compaixão pode ser definida como sendo a pena e o amor de Deus. Quando sentimos compaixão, o estado predominante é aquele de comunhão com a Harmonia Cósmica contemplando sofrimento humano. Quando sentimos a compaixão não estamos assumindo nenhum KARMA. A compaixão é uma mobilização, atitude activa pela qual encontramos formas de ajudar outros à luz dos ensinamentos do KARMA YOGA. A compaixão está em purificar, assim sendo, é uma grande ajuda na nossa evolução interior.

Quando consagramos a Deus a nossa compaixão, é transformada em compaixão.