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Lei da Ressonância

A Chave Secreta de Todas as Chaves da Manifestação do Universo

Para a mente ocidental, a linguagem do YOGA e de outros caminhos espirituais é muitas vezes dificil de decifrar: os símbolos e as metáforas são um selva onde tanto os iniciados como os não-iniciados (maioritariamente) se perdem.

A chave secreta que abre todos estes segredos e significados perdidos é a Ressonância. A ressonância é muito fácil de entender para a mente ocidental, tão centrada na abordagem científica da realidade. À luz da Ressonância, todas as metáforas e os símbolos imediatamente começam a fazer sentido, tornando-se ao mesmo tempo numa porta genuína em direcção a realidades invisíveis.

Definição

A Lei da Ressonância tem um carácter relacional, isto é exprime a forma na qual duas ou mais coisas ou fenómenos aparentemente diferentes que selectivamente se comunicam (estão ligados), estando integrados num Todo unitário. As conexões que unem todas as coisas no Universo (objectos físicos, processos mentais, fenómenos psíquicos, níveis espirituais, por outras palavras, toda a manifestação) têm como base o processo da Ressonância.

O segredo fundamental da prática de YOGA é criar e manter um processo da ressonância.

A ressonância é um processo de iniciação e amplificação de uma resposta vibratória (uma conexão) num sistema receptor que está sintonizado com um sistema emissor.

É muito importante entender que a ressonância só começa quando a frequência dos dois sistemas (o receptor e o emissor) é muito próxima ou idêntica. No YOGA, o processo de ressonância é criado e mantido principalmente pela permanente atenção focada (concentração mental sem esforço). Durante a ressonância, as frequências cósmicas (energias vibratórias) que são continuamente emitidas como ondas cósmicas por centros interestelares, galáxias ou planetas podem ser recebidos pelos focos correspondentes do corpo humano subtil da mesma forma que um rádio pode ser sintonizado a diferentes frequências de rádio. Durante a ressonância, uma transferência da energia subtil ocorre, da fonte emissora para o receptor. A energia recebida traz consigo todas as características da fonte, em múltiplos níveis (padrões físicos, energia específica, sentimentos, estados interiores, informação, idéias, etc.).

YOGA e Ressonância

O que tem o YOGA a ver com a ressonância? Aqui está o quê: todas as técnicas de yoga (asanas, pranayama, meditação, etc.) são modalidades precisas em criarem ressonância com certas energias cósmicas que são específicas para aquela determinada técnica. O tipo de energia com que certa técnica ressoa é revelado por um guru (e quem sabe essa informação por experiência directa é um guru verdadeiro!) quando ele dá a iniciação naquela técnica.

Por outras palavras, pela prática de um certo asana, por exemplo, o Yogi cria uma conexão entre o seu próprio microcosmo, vibrando agora numa certa energia (correspondente a esse asana), e a fonte macrocósmica dessa energia (ou o correspondente cósmico desse asana). Através desta conexão (ou ressonância), a energia da fonte cósmica é 'vertida' no microcosmo do praticante. Quanto mais esse asana for mantido sem esforço com a concentração mental necessária, mais esse tipo de energia é acumulado no seu ser. Esta é a razão pela qual todos os yogis realmente avançados mantêm asanas, ou meditam, ou fazem pranayama, etc., durante horas a fio (NÃO recomendado a principiantes!).

Por isso, o YOGA põe à nossa disposição não só um instrumento para autoconhecimento, mas também um grande espectro de ferramentas para desenvolver aquelas áreas do nosso ser que são menos desenvolvidas, para que nos tornemos seres inteiros, completos.

Por isso, devido à sua similitude, os fenómenos, idéias, sentimentos, objectos, energias, etc., estão de acordo (consonância, acordo), vibram em unissono (identidade), evocam (chamam) um ao outro selectivamente pela acção à distância.

Na física clássica, a ressonância é bem conhecida em mecânica, acústica, eletromagnetismo. Este fenómeno contudo caracteriza a manifestação inteira do Universo. A base da existência da ressonância é o substrato enérgico e vibratório do Universo.

Por isso, um primeiro passo na compreensão da ressonância deve refletir-se sobre o facto que todos os fenómenos físicos, mentais e espirituais estão enraizados (são um resultado de) (desenvolvem-se de) uma Realidade Única Eterna.

Os movimentos vibratórios do Universo

Tal como a tradição oriental esotérica da espiritualidade, a física moderna não concebe a matéria como passiva, inerte, estática, mas como estando num movimento vibratório contínuo. Os ritmos desses movimentos são determinados, por entre outras coisas, pelas estruturas atómicas, nucleares e moleculares. Por isso, tanto a ciência como a espiritualidade convergem em direcção à idéia que o Universo é dinâmico, estando num movimento contínuo de oscilação. A natureza não está estática, mas num equilíbrio dinâmico. Aqui está o que um texto Taoísta diz sobre esta matéria:

"O silêncio no silêncio não é o Silêncio verdadeiro. Só quando há calma no movimento, o ritmo espiritual [vibração] que penetra o Céu e a Terra nasce."

Por isso, tudo é vibração. Aqui está o que os cientistas dizem sobre o assunto:

"Tudo é vibração. Tudo é movimento. O Vazio [Substrato Primordial] flutua, segundo certas leis, entre Existência e a Inexistência. Os quanta [uma unidade pequena, indivisível da energia] carregados como resultado do movimento vibratório do vazio, são 'virtuais', isto é, eles não se materializam em partículas reais que possam ser observadas. Eles precisam de uma certa massa e energia para ter a existência material."

O Universo inteiro é feito de muitas coisas e fenómenos, dos átomos mais pequenos às galáxias maiores. O seu elemento comum é que todos eles se estão a mover. POR QUE tudo se está a mover é uma pergunta à qual a ciência moderna não tem nenhuma resposta. A ciência moderna contudo fez algum progresso na explicação de COMO as coisas se movem.

A moderna física (quântica) afirma a existência de QUATRO FORÇAS (assumindo como uma hipótese a existência necessária de uma QUINTA FORÇA que unifica as primeiras quatro). Esta teoria é um redescobrimento da teoria oriental dos cinco TATTVAS, ou elementos subtis (terra, água, fogo, ar, éter). Segundo a física, as quatro forças que actuam no Universo são: as forças "fortes" e "fracas" (que mantêm os átomos juntos), a força da gravidade (que descreve o movimento de corpos materiais maiores) e a força eletromagnética (como luz). Todas essas quatro forças têm algo em comum: todas elas movem-se em "ondas".

Por isso, as ondas representam o movimento básico do Universo. Mesmo embora este assunto possa parecer complicado, os seus princípios básicos são muito simples. Uma vez que esses princípios sejam claramente entendidos, podemos fazer progressos na compreensão das características físicas de ressonância e harmonia.

Uma onda - 'algo' que se move

A propagação da luz, por exemplo, é por vezes explicada como um fluxo de partículas (fótões - um quantum de energia eletromagnética) movendo-se pelo espaço. Mas certas experiências produziram resultados que não podem ser explicados se considerarmos que a luz é somente um fluxo de partículas. O elemento fundamental aqui é que até nesses casos a luz move-se pelo espaço. Procurando um modelo mais compreensivo, pelo menos no caso da propagação da luz, podemos perguntarmo-nos se existe também algo mais, além de partículas, que se podem mover de um lugar para outro. A resposta é sim, há. Se lançarmos uma pedra para um tanque, podemos vê-la: uma ONDA.

Se olharmos cuidadosamente para ondas num tanque, observamos que embora a água se mova para cima e para baixo numa onda, ela (água) não avança (fica no mesmo lugar). Isto torna-se ainda mais visivel se houver um pequeno pedaço de madeira a flutuar na água: a madeira move-se para cima e para baixo, mas não vai a lugar nenhum. Por outras palavras, uma onda pode viajar longas distâncias, mas a água fica onde estava antes.

Por isso, podemos dizer que uma onda é uma perturbação que se propaga por um meio. O meio contudo NÃO avança na direcção da perturbação. Uma onda é algo que pode viajar de um lugar para outro sem ser uma partícula material ou um fluxo de partículas.

Os níveis vibratórios do Universo

A onda manifesta-se em todos os fenómenos do Universo, dos barulhos diários, cujas frequências vão de alguns ciclos/segundo a dezenas de milhares de ciclos/segundo, às ondas de rádio, cujas frequências estão entre 500 e 15,000 milhões de ciclos/segundos, às radiações cósmicas, cujas frequências são acima de 1 seguido por 22 zeros ciclos/segundo!

As ondas mentais e psíquicas têm frequências ainda maiores, mas a natureza desses processos vibratórios é similar. As suas frequências dependem da qualidade e do refinamento dos nossos pensamentos e emoções (por exemplo a frequência de uma sentimento de amor é muito mais elevada que a frequência de uma sentimento da tristeza).

Segundo o Dr. Arnaud, um cientista francês, todas as vibrações do mundo físico estão entre o quase zero e 1 seguido por 22 zeros ciclos/segundo. Isto representa a oitava mais baixa do Universo (mundo físico). Segundo o mesmo cientista, as vibrações do mundo astral e mental estão entre 12 seguidas por 32 zeros e 96 seguido por 39 zeros ciclos/segundo! Na tradição oriental conhece-se que essas frequências continuam a aumentar à medida que acessamos níveis mais elevados da manifestação.

Vibrações na matéria viva

Como estão essas vibrações a se comportar na matéria viva? Temos receptores de cada gama de vibrações? Percebemos / podemos perceber todas as vibrações?

As energias vibratórias estão classificadas segundo uma escala de níveis vibratórios descritos pela sua frequência de vibração. A frequência define a qualidade (o tipo) da energia. A amplitude define a quantidade da energia. As frequências vibratórias são dependente das propriedades inerentes (intrínsecas - existindo como um constituinte ou caracteristica essencial) do emissor ou receptor. Assim, por exemplo, as frequências vibratórias recebidas pela orelha estão entre 16 e 20,000 ciclos/segundo. O olho recebe vibrações entre 1 seguido por 14 zeros e 1 seguido por 15 zeros ciclos/segundo, etc. Deste modo, cada órgão dos sentidos funciona e pode interpretar apenas certas determinadas frequências. A gama da percepção dos cinco sentidos é extremamente limitada em comparação com toda a gama das frequências no Universo. Para além dos cinco órgãos dos sentidos, o ser humano tem também outros sentidos (receptores da energia vibratória), que na maior parte do tempo estão latentes (dormentes) (por exemplo, clarividência), mas que podem ser despertados pelo treino apropriado.

Os elementos 'quantitativos' e 'qualitativos' da consciência. Em termos vibratórios, a consciência é a aptidão de um sistema de responder a estímulos (informação). Este sistema pode ser complexo (por exemplo um ser humano) ou muito simples (por exemplo uma célula). Se iremos atingir um átomo com um raio da energia, o átomo responderá de certo modo. Quando paramos este estímulo, o átomo retorna ao seu estado inicial. Esta resposta é uma manifestação da consciência do átomo.

A mesma experiência pode ser feita com uma célula, um animal ou um ser humano. Naturalmente, os sistemas desenvolvidos mais elevados reagirão de um modo mais complexo do que sistemas mais primitivos. Quanto mais complexo for um sistema, mais ele terá uma gama mais larga de respostas.

Já que o ser humano é um epítome do Universo, o número de respostas possíveis aumenta enormemente. Diremos que o número de respostas possíveis representa o aspecto 'quantitativo' da consciência. Talvez a alguns isto irá parecer artificial, porque a maior parte das pessoas associam a idéia da consciência com seres vivos só. Isto acontece devido à nossa limitação e ignorância. Restringimos o significado do termo 'ser vivo' só àqueles seres que se podem reproduzir. Uma pessoa inteligente pode ver que esta visão é totalmente arbitrária, porque o que estamos a fazer é a projectar o nosso próprio comportamento a outros sistemas e julgá-los segundo os nossos 'padrões'. Segundo aqueles 'padrões', os átomos, por exemplo, não estão vivos, somente porque eles não existem e não se comportam como nós!

A sabedoria oriental definiu à milhares de há anos o conceito de SPANDA, vibração ou flash exterior da Consciência Divina, como o fundamento da manifestação inteira do Universo. Nesta visão, a consciência está em todo o lado, até na partícula mais insignificante da matéria. Por outras palavras, a matéria inteira contém a consciência (logo, vida) em várias proporções. O poder que está a ocultar em vários graus a consciência de tudo que existe é chamado o MAYA, o véu da ilusão. Este grau da presença da consciência representa o aspecto 'qualitativo' da consciência, e este aspecto é expresso pela frequência da vibração.

Os anciães sábios orientais, como resultado das suas experiências pessoaios aos níveis mais profundos da consciência, estruturaram o ser humano e o Universo em sete oitavas de vibração (correspondendo aos sete CHAKRAS). Esses níveis exprimem precisamente a qualidade da consciência.
Um sistema tem também uma actividade da troca enérgica com o seu mundo circundante (metabolismo). Esta actividade mostra a intensidade e a gama das trocas enérgicas entre um sistema e o seu ambiente. Se esta actividade enérgica não se estender acima de uma certa gama de frequências, a realidade correspondente àquelas frequências 'não existe' para aquele sistema!

Por isso, há na natureza um espectro de realidades relativas para cada categoria do sistema que manifesta um certo nível de consciência. Podemos entender agora que até uma pedra tem a sua própria consciência, logo a sua própria realidade relativa. Os seres dos níveis superiores do Universo podem interagir com o seu meio a uma extensão muito maior do que podem os seres de níveis mais baixos. À medida que subimos a um nível superior de existência, a magnitude da realidade experimentada e a nossa liberdade crescem exponencialmente.

O Absoluto

Para entender a natureza do Absoluto e dos aspectos relativos do Real, faremos uma analogia, que não deve ser tomada literalmente, já que o Absoluto é indefinível.

Vamos imaginar um Oceano infinito e extremamente profundo. A superfície da água é tão pacífica e calma que é quase invisível. Esta é a referência, a base de todas as comparações. Vamos imaginar agora que na superfície do oceano subitamente aparecem ondas que criam vibrações. Estas vibrações fazem a superfície quase invisível da água tornar-se visível.

Analogicamente, quando uma vibração é produzida para o Absoluto, Ela torna-se manifesta, visível. Chamamos a isto 'realidade relativa'. O que não deve ser esquecido é que o oceano é o elemento unificador que penetra e harmoniza todas as realidades relativas. É por isso que o Oceano pode ser chamado Existência Absoluta ou Consciência Pura.

Podemos produzir ondas à superfície, mas os níveis mais profundos nunca serão perturbados. Eles estarão sempre num estado da paz (calma). Podemos dizer que as ondas grandes e barulhentas (frequência baixa) correspondem aos níveis mais baixos da realidade relativa, e as ondulações delicadas e rápidas (alta frequência) correspondem aos mais altos níveis da manifestação.

Se perguntaremos a um físico quântico de que é feito um eletrão, ele responderá que um eletrão é um padrão de ondas que vibram a uma certa frequência o que determina a sua energia. Mas se perguntaremos ao físico O QUE é que que vibra, ele responderá 'ninguém sabe'. Usando a analogia com o oceano, podemos dizer que o eletrão é uma onda na superfície do oceano. Esta onda vibra em comparação com os profundos, quietos níveis da Consciência Pura. Por isso, seremos capazes de responder à pergunta O QUE vibra num eletrão, dizendo que uma unidade de consciência pura vibra lá.

Quando entendermos que a Realidade é feita de dois aspectos: um é o fundo do oceano e o outro é a superfície que vibra, apercebemo-nos que o espírito e a matéria emergem da mesma essência fundamental. A matéria sólida é expressa como as ondas grandes, lentas na superfície do oceano (frequência baixa, grande amplitude) (que é uma manifestação mais restringida da consciência), ao passo que a mente, por exemplo, é como uma ondulação muito delicada e rápida (alta frequência, pequena amplitude) (que é uma manifestação mais intensa e livre da consciência).

O Potêncial Criativo Divino

Ao irmos mais profundamente nesta analogia, podemos definir o Absoluto como sendo uma vibração infinitamente delicada de amplitude praticamente nula e frequência infinita. Nesta situação, temos uma superfície perfeitamente calma que contém uma energia tremenda. Chamamos a esta energia de 'potêncial criativo'. Esta energia muito poderosa e extremamente refinada também é dotada de sabedoria, que confere a cada sistema uma aptidão de auto-organização (podem funcionar como um todo). Quanto mais reduzida a amplitude, mais elevada a energia (frequência) e mais próximos os picos da onda vibratória. Quando as vibrações se tornam tão rápidas e os picos estão tão próximos quase a tornarem-se identificados uns com os outros, um estado 'quase-estático' é alcançado, no qual o movimento permanece potencial. Então a energia do sistema torna-se infinito. Por isso, o Absoluto é um estado no qual os contrários (pico e vale) se tornam um. Mais ainda, o movimento e o descanso fundem-se num. O Absoluto coroa a hierarquia das realidades relativas, sendo ao mesmo tempo a sua fonte. Na sua forma não manifestada, o Absoluto é um dinamismo potencial, ao passo que uma vez manifestado ele torna-se na fonte e a fundação de todo o Universo, desde a matéria física às realidades mais subtis.

Vibração na filosofia oriental

A idéia de uma vibração suprema como uma fundação do universo é comum a muitas tradições da espiritualidade. O Evangelho de João diz "No princípio houve Palavra", referindo-se à vibração sonora do criativo Logos.

A idéia da vibração primordial é muito claramente expressa na tradição oriental, principalmente na tradição do Shivaismo de Caxemira chamada SPANDA. A palavra SPANDA significa movimento, vibração. Esta Escola diz que nada pode existir sem movimento. A vida - no seu sentido mais vasto - não pode existir sem movimento. Pela comparação com a Realidade Suprema, o grande filósofo Abhinavagupta chama À SPANDA de uma 'pulsação, um erguer da felicidade espiritual para a natureza essencial do Divino, que inclue todos os passos sucessivos que seguem'. Mas como podemos falar sobre o movimento do Absoluto?; já que o movimento, como o conhecemos, realiza-se em espaço e tempo, sendo uma medida da modificação da posição no espaço em relação ao tempo. O Absoluto transcende o espaço e o tempo. É por isso que SPANDA é definido como a dinâmica da consciência, sendo não um movimento físico, não uma actividade psicológica (como prazer) e nem mesmo um movimento do PRANA (energia) (como fome e sede), mas sendo a vibração subtil que é a fonte e a fundação de todos esses. SPANDA é a pulsação do Êxtase da Consciência Divina. Ele é a dinâmica do espírito e está a exprimir liberdade absoluta. No ser humano, esta energia SPANDA SHAKTI é a felicidade unificadora da consciência sem esforço do Self, sendo da mesma natureza que o substrato do Universo. Referindo-se a esta vibração, SHIVA SUTRA diz "o Self (ATMA) é aquele que está a dançar [vibrando em harmonia]."

As filosofias orientais, expressadas em inumeras lendas e mitos, falam sobre SHIVA como o Bailarino Cósmico - SHIVA NATARAJA, que no ritmo da Sua dança está a criar e a destruir todo o universo. A dança de SHIVA é uma metáfora admirável da existência como é entendida pela ciência moderna: um movimento contínuo num espectro infinito de frequências.

Em conclusão, podemos olhar para toda a criação como sendo um agregado de fenómenos vibratórios, em que cada um tem a sua própria frequência. Se pensarmos que os sons são também frequências, e que qualquer vibração produz um som, podemos dizer que toda a criação é uma sinfonia grandiosa (a música das esferas).

Neste mundo de vibrações, a RESSONÂNCIA é, por isso, o fenómeno de extrema importância que liga dois ou mais processos vibratórios compatíveis.

Ressonância em física

Em acústica, a ressonância acontece quando um corpo elástico começa a vibrar devido a um sinal sonoro (som) que é produzido perto daquele corpo. No eletromagnetismo, chamamos de ressonância à superimposição de duas frequências de características idênticas (o mesmo comprimento de onda). Quando duas frequências idênticas se superimpõem, a onda resultante é amplificada. Esta amplificação pode alcançar valores muito altos, chamados de pontos da ressonância. Por isso, a ressonância tem como efeito principal a amplificação da intensidade ou a amplitude de um som ou radiação.

Vimos que uma onda nasce sempre de algo que se move. Ondas de luz, ondas de rádio, ondas oceânicas, ondas gravitacionais, ondas sonoras, ondas mentais, ou qualquer outra espécie de ondas, todas existem e manifestam-se porque em algum lugar, algo se está a mover. Nada se pode mover num lugar sem induzir mais cedo ou mais tarde outro movimento noutro lugar do Universo. Uma onda faz mover aquelas coisas que estão no seu caminho de forma semelhante ao movimento inicial que gerou a onda.

Interferência

Se duas ondas 'empurrarem' um objecto na mesma direcção, o objeto vai mover-se mais depressa naquela direcção. Se duas ondas empurrarem um objecto em direcções opostas, o objecto vai mover-se mais devagar. Se a direcção das duas ondas fizer um ângulo, o objecto modificará a direcção, etc. De facto, nesses casos as ondas não se afectam uma à outra, elas somente interferem uma com a outra. O fenómeno da interferência está a acontecer continuamente no mundo das ondas.

Consonância e dissonância

Digamos há duas fontes independentes de ondas. Neste caso há quatro possibilidades:

1-Se as ondas tiverem frequências iguais e o mesmo período, eles amplificam uma à outra (RESSONÂNCIA ou CONSONÂNCIA).

2 - se as ondas tiverem frequências iguais e período oposto, eles trabalham uma contra a outra (DISSONÂNCIA, DISCÓRDIA).

3 - se as freqüências forem próximas, mas não iguais, eles produzem o fenómeno da BATIDA. A batida é um resultado de uma interferência periódica, por outras palavras, às vezes as ondas amplificam-se uma à outra, às vezes eles trabalham uma contra outra. A onda resultante é uma onda modulada, cuja frequência será a diferença entre as duas frequências iniciais.

4 - se as freqüências forem muito diferentes, eles não influenciam uma à outra de todo.

Osciladores e sistemas ressoantes

Qualquer objecto que se mova periodicamente pode ser considerado um oscilador. Os osciladores modificam o seu ambiente (por exemplo ar, água, campo gravitacional, etc.) ao criarem ondas.

Digamos que temos dois violinos afinadosados identicamente. Colocamos os dois violinos em cima da mesa, e num deles produzimos um som ao vibrarmos uma corda. Notaremos que no outro violino (que não tocámos) a corda correspondente (que, por isso, está sintonizada à mesma frequência) também começará a vibrar, produzindo um som semelhante ao som produzido pelo primeiro violino. Isto é um fenómeno de ressonância. Os dois violinos constituem um sistema ressoante.

A lei cósmica de ressonância

Esses fenómenos de ressonância podem ser muito bem atribuidos ao nosso mundo interior de pensamentos, sentimentos e emoções bem como ao nosso modo de associarmo-nos com outras pessoas e com o nosso meio.

Os pensamentos, as sentimentos, as idéias, etc., atraem, evocam e amplificam-se umas às outras pela ressonância. Aqueles pensamentos/sentimentos que não têm frequências iguais não se influam umas às outras. E aqueles pensamentos/sentimentos que têm frequências opostas tendem a cancelarem-se umas às outras.

Exemplos de ressonância

1. Uma explosão de raiva crescente entre duas pessoas é uma manifestação do fenómeno de ressonância. A pessoa que se zanga cria ondas de raiva que se estendem para o seu meio. Deste modo, a sua raiva será facilmente transmitida a outra pessoa. Se esta outra pessoa aceitar essas frequências na sua aura, ela também se vai zangar, produzindo as ondas da mesma frequência, que irão influênciar a primeira pessoa por ressonância, amplificando a sua raiva. Deste modo, enquanto eles estiverem juntos, as suas raivas crescerão continuamente.

2. Duas pessoas que concordam com um assunto são atraídas uma à outra, porque elas ressoam.

3. Um aspecto muito importante da ressonância é a ressonância de grupo. Neste caso, se um grupo de pessoas estiver sincronizado e pensarem ou sentirem os mesmos pensamentos/sentimentos, o poder daqueles pensamentos/sentimentos é muito amplificado. Este fenómeno é muito óbvio em círculos de cura, onde um grupo de pessoas é sincronizado e enviam energia (que é amplificada pela ressonância) a uma pessoa que precisa de ajuda. Deste modo, os participantes não precisam de ser muito poderosos ou habilidosos, porque os seus esforços, ainda que desajeitados, acrescentarão e amplificarão, por ressonância, criando um efeito perceptível, que de outra forma podia não ter sido alcançado por um único indivíduo.

Conclusão

A ressonância é uma conexão. O modo de criar esta conexão está codificado nas várias técnicas ou 'modus operandi' dos vários caminhos espirituais. Quem compreende profundamente a lei da Ressonância, encontrou o núcleo de todos as formas de abordar todas as dimensões do Universo.